O VOCÊ ADAPTA A EMPRESA AO DISTANCIAMENTO SOCIAL QUANDO SEU NEGÓCIO É VENDER EXPERIÊNCIAS?

A pergunta acima é um convite para a reflexão. Quando estamos diante de algo inusitado, precisamos nos reinventar, rever a história, olhar com outros olhos! Gosto muito da frase “Quem quer fazer alguma coisa encontra um meio, quem não quer fazer nada encontra uma desculpa”  Talvez eu goste tanto dessa frase porque a maioria das pessoas, inclusive eu, geralmente encontra uma desculpa para não fazer coisas: falta de tempo, cansaço, dificuldade de aprendizagem, dislexia, doença. Em tempos de pandemia a desculpa mais ouvida é o Covid. Tudo é culpa do Covid. Está certo que essa crise tem sido comparada ao Crash da Bolsa de 1929, com recessão semelhante à daquela época. Contudo, em toda crise  enquanto uns choram outros vendem lenços.  A seguir, quero compartilhar a história de uma empresa cujos lenços são colocados nos olhos. 
Benvindos ao Ateliê no Escuro

Fundada por Elis Feldman, Gabriela Pistelli, Maria Lyra e Janaína Audi (as três primeiras são psicólogas e a quarta, terapeuta corporal), a empresa projeta experiências por meio do uso de vendas nos olhos.
Já tive o privilégio de ganhar de presente uma dessas experiências e realmente é inesquecível. Tão inesquecível que fiz questão de repetir a dose presenteando alguns amigos com a tal vivência. 
De orquestra sinfônica, poesia narrada ao pé do ouvido, higienização das mãos com toalha felpuda mergulhada na lavanda, a um jantar de descoberta futura do menu com presença do chef, tudo é uma delícia.
O Ateliê no Escuro também promove eventos corporativos atuando em relações de confiança e vulnerabilidade, estímulo da criatividade e o enfrentamento de desafios. 
Tudo começou há 12 anos, de forma caseira, com jantares vendados na casa de uma das sócias. Aos poucos, a ideia foi ganhando corpo e elas se profissionalizaram. Desde 2008, elas já atenderam mais de 250 empresas. Em 2019, o faturamento foi de 536 mil reais.
O Ateliê no Escuro poderia ter fechado as portas nessa quarentena. As sócias, porém, adaptaram a metodologia para continuar em ação durante o distanciamento social. Apesar da previsão de queda do faturamento em 40% neste ano de 2020, o jeito foi dar um jeito ao contrário de inventar uma desculpa.

As sócias pensaram em novas abordagens para continuar ajudando os clientes. “Fomos lançados em um grande escuro, um momento de grande incerteza e que isso já faz muito parte do trabalho que temos feito. Percebemos que podemos ajudar.”
Numa era em que a palavra chave é AJUDAR O OUTRO, a equipe está totalmente em sintonia com o momento. Estou certa de que  os negócios bem sucedidos do futuro serão aqueles que terão como missão ajudar outras pessoas. Ótimo!
 MAS COMO TRABALHAR OS SENTIDOS EM TEMPOS DE  DISTANCIAMENTO SOCIAL?
No momento, o Ateliê no Escuro está com dois projetos online. O primeiro se chama “Roda de Conversa” e começou a acontecer presencialmente no final do ano passado. Por se tratar de um formato que já tinha mais espaço para a fala, a adaptação para o mundo virtual não foi tão difícil.”
O piloto online foi realizado com a equipe. A primeira sessão aberta ao público aconteceu no dia 14 de abril, pelo Zoom, com o tema “Estamos no escuro: como caminhar?”. Agora a roda é realizada toda terça-feira, com contribuições voluntárias, e os interessados precisam se inscrever por email ou WhatsApp para participar. O objetivo das empreendedoras com essa iniciativa é abrir um espaço de cura, aconchego e troca, em especial neste momento de tantas incertezas, com as pessoas confinadas em suas casas.
“Entendemos que estar no escuro pode ser uma experiência que acalma e acolhe a ansiedade, que ativa nossos recursos de adaptação e que nos mostra como existem outras maneiras de perceber as coisas. É abrir um espaço para escutar o que vem, para olhar o novo e deixar desconstruir o que vinha sendo feito”
Ainda não participei dessa nova versão do Ateliê no Online, mas tenho certeza que a equipe está sendo bem sucedida e quando a crise passar, todos estarão saudosos de encontros sensoriais próximos, mas arejados! Termino esse post com uma mensagem de agradecimento ao Ateliê no Escuro, por trazer tanta luz diante de um cenário de dúvida, angústia e confusão. Agradeço, agradeço, agradeço! Um abraço virtual de Denise Styllo e Rafael Berck.

“Uma resposta ansiosa e consumista surgiu nessa pandemia: consumam, leiam, façam cursos! Isso tudo pode nos distrair dessa oportunidade de cultivo da intimidade e da introspecção de que vínhamos falando”
(Acima, as meninas do Ateliê no Escuro em seu piloto para a quarentena)


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